quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Momento debate- O incompreensível mundo da moda

Através das estatísticas do nosso blog eu encontrei o Strawberry fields, um blog em que a Julieta escreve o que dá vontade. Ela fez um artigo chamado "O incompreensível mundo da moda" que vou transcrever aqui embaixo pra podermos debater . Depois eu passo pra deixar meu comentário, por favor deixe o seu! PS: Ju, se você tivesse aqui em Madrid ia encontrar a polãina e a ombreira ! Jajajajajajajaj!

Alguns especialistas de moda afirmam que vivemos a era do fim de tendências macro. Que o minimalismo conviverá com o retrô que conviverá com o punk que conviverá. E que isso se vê claramente na última temporada de desfiles, que havia referências e peças para todos os gostos e que as micro-tendências permitem uma moda mais democrática e menos pasteurizada, tanto para o mercado quanto para o consumidor.

Gostando ou não de moda, sabendo ou não quem é Suzie Menkes, você, como todos nós que não somos índios ou a mulher de branco de Ipanema, compra roupas eventualmente. E a maioria de nós deve discordar desses que se dizem especialistas porque faz tempo que não consigo encontrar nada que não seja a) de malha, b) uma fortuna, c) rosa, laranja ou roxo. Se micro-tendência é sinal de ditadura da moda e isso é, de acordo com os entendidos, democracia, então o meu dicionário perdeu a validade.

Os especialistas concordavam, porém, que havia uma coincidência (inconsciente coletivo?) em desfiles “importantes” que apontava para o esquisito, para o visual que causava certo estranhamento.

Se o feio é o novo preto, então talvez isso explique o fato de que a maior parte do público do Tim Festival parecia saída do Almanaque Anos 80. E não era uma releitura como se costuma fazer, era mesmo um retrocesso. Mullets para todas as cabeças, bolsinhas matelassê com alças de correntes douradas, esmalte e maquiagem néon, bijouterias de acrílico e até faixas de cabelo daquelas que a Olívia Newton John usava em Let’s get Physical. Havia mesmo um sujeito cujo cabelo, tenho certeza, era uma nada discreta homenagem a Robert Smith. E o assustador, além do resgate fashion da década que tentamos esquecer, era que muitas vezes não conseguíamos saber se tal pessoa era menino ou menina.

Por sorte eu não esbarrei com ninguém de polaina ou ombreira, isso realmente teria me apavorado, mas acho que não seria tarefa difícil. Por sorte também eu ia ver o show da Cat Power. Mas não teria sido bizarro se o A-ha tivesse subido ao palco.

4 comentários:

Frau Martins - Berlin disse...

Olha...vou falar mal e espero que ninguém se ofenda!!!! Eu acho que a Ju tem toda e completa razao. Me irrita tambem profundamente o povo que leva as tendencias de moda ao pé da letra e nao sabe criar um visual fresco e particular. Aqui em Berlin tambem é assim, um pouco. Mas com a diferenca de que a cidade sofreu uma grande mudanca no final da década de 80 e uma parte do pessoal do leste, nao comprava roupa que nem no ocidente. Aqui andando na rua dá pra ver quem era do leste pois as pessoas meio que pararam no tempo (polainas, casacos michael jackson de ziper, mullet, etc). Mas é o pessoal da idade dos nossos pais mesmo. Entao eu acho que a influencia 80 é bastante legítima.
Já no meu querido Rio de Janeiro, acho que existe um problema cronico de gente que nao sabe se vestir. Com muito custo voce encontra na rua gente que se veste legal, diferente (tenho horror dos topzinhos de malha e sainhas jeans!!!!). O clima nao ajuda, a praia na ajuda e a mania do povo de se meter demais na vida dos outros tb nao ajuda.
Aí vem os moderninhos do tim festival e querem situar-se em meio ao mundo contemporaneo globalizado... AI!!!! Aí venho eu com essa comparacao esdrúxula e pra piorar vou comprar o Rio com Sao Paulo, hehehehehe: Eu acho que foi o Mário de Andrade que disse isso e ainda bem que ele nao está aqui pra me corrigir. Mais ou menos assim: Sao Paulo é uma capital aberta, disposta a novidades e industrial já o Rio é uma cidade folclórica e nao consegue se livrar do exotismo tropical.
PS: Eu sou carioca, mas vivi a vida inteira numa bolha de oxigenio!!!

Angélica Dass - Madrid disse...

Muitas coisas para dar pitaco…
É impresionante como o mercado brasileiro (carioca) sempre encinera as tendências , se é amarelo, todas tem amarelo e se você gosta de rosa tá ferrada e se você gosta de amarelo, vai passar a odiar.Um grande exemplo disso é a listra marinheira, de 3 verões atrás enquanto no Brasil todas, eu disse TODAS, as lojas tinha algo de listra, aquí o povo consome a tendência de forma mais diluida, esse ultimo verão seguiam as listras, são tantas micro tendências que você pode apostar por várias e dura algumas coleções sem você ter ódio da “tal” tendência, como no Brasil! E a viscolycra???? O povo não muda o chip!
E ai chego ao tim festival, se a tendência são os 80, todos os supercool da vez vão de 80,por que o importante não é ser moderno por sua personalidade e sim ser moderno pq viu no editorial da Nylon, ou pq a modelo da onda é a Agnés Deyn(tem certeza q não tem nenhum personagem 80 na última novela!Hahahahaah, ui, isso é muito popular!)…não importa a desculpa. E a diferenta é que aquí em Madrid, tem polaina, ombreira , Mullet, mas tudo está dissolvido em um monte de tendências, eu tenho uma polaina, mas nunca uso disfarçada de coadjuvante de “flasdance”. A diferença é personalidade, é não querer sair e encontrar um clone seu una rua, ou se fantasiar de Grace Jones … Temos que deixar de ser “colonialistas” , e de trocar ouro por espelhos… depois continuo…

Lissandro Silva - Londres disse...

Tambem vou me meter...
Pra comecar acho que rio e sp sao bem diferentes, nem rola comparacao, o rio e praia, sp e industrial. Acho que aqui e tao aberto, mas tao aberto, que eles acabam copiando tudo que rola la fora. Vide emos, punks, etc..nao suporto ver gente de preto e maquiagem no rosto num calor animal. No rio temos nossa moda sim, mas e uma moda praiana, a Osklen e prova disso, e ta arrasando no mundo todo.
Voltando ao tim, que alias eu fui aqui em sp, relamente tinha muita gente estilo anos 80, com mullets e tudo mais (tirei os meus faz uma semana), mais uma vez pra mim e uma copia do que rola la fora, vejo aqui as mesma figuras que via em londres, anos 80 ta em alta, na tem jeito, o movimento new rave e baseado nas cores e estilo de estampas dos anos 80, mas é so uma releitura. Ja li em algum lugar que por ser cíclica, a moda sempre volta deposi de 20 anos, por isso estamso nessa fase 80´s, mas sempre como um releirura, daqui a 20 anos vamos ver que a moda dos anos 2000 so tinha alguns traços dos anos 80...No fim dos anos 90 eu lembro bem, tinha muita coisa anos 70, com mta estampa psicodelica, e cores...
Bem acho que e isso, moda sim, seguir tendencias sim, mas sabendo quando e onde usa-las. E viva as mini-tendencias, assim facilita pra todos que queiram algo um pouco diferente.
Bjo

Julieta disse...

Gente! Que surpresa ver o comentário da Angélica! Eu acompanho o blog de vocês há um tempo mas nunca deixo comentários porque sou péssima nisso!
Mas vamos à discussão.
Não estou apta a comparar Rio com São Paulo, mas aqui na cidade "maravilhosa" as coisas viram quase que uniforme, é tão nítido que com o tempo você se acostuma com o fato de que todo mundo se veste igual e usa as mesmas coisas. Até aí nada de novo, acho que é mesmo cultural, a gente é acomodado, aparentemente com quase tudo...
O que me impressiona mesmo é essa horda de moderninhos cools, a maioria atuando no campo artístico. São pessoas que supostamente consomem revistas e tantas outras mídias de moda. E por isso deveriam estar enjoados da mesmice, e em vez de contestar adotando um estilo próprio ou buscando suas prórpias referências não...
E não é implicância, é só que é uma galera que viveu os 80 e que, garanto, durante muito tempo deve ter olhado pras fotos da época e pensado "como é que me vestia assim?!" ou "como é que a minha mãe me deixava cortar o cabelo desse jeito?!".
Mas enfim... Tem gosto pra tudo, né?
beijos para todos!